sexta-feira, 15 de março de 2013

Cabo da PM é morto a tiros


O cabo da Polícia Militar (PM) Marcelo Alessandro Capinam Macedo, 42 anos, nome vinculado a um suposto grupo de extermínio dentro da corporação, revelado em 2011 pela Operação Sexto Mandamento, foi morto com vários tiros na manhã de ontem, há poucos metros do complexo de delegacias especializadas da Polícia Civil. Ele aguardava a abertura do semáforo da Avenida Armando de Godoy, no bairro Cidade Jardim, em Goiânia, dentro de sua caminhonete VW Amarok, quando foi surpreendido e recebeu nove tiros. 

Capinam morreu no local. Já o motorista do veículo, José Carlos Pereira Brandão, foi atingido somente de raspão e recebeu alta após atendido. Segundo informações da Polícia Civil, o garupa que estava em uma motocicleta, que se aproximou do veículo, foi o autor dos disparos. O delegado adjunto da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídio (DIH), Alexandre Bruno Barros, ainda traça as primeiras linhas de investigação.

Na tarde de ontem, o delegado colheu o depoimento de cinco testemunhas. “Três que presenciaram o crime, inclusive a delegada da Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA), Renata Vieira, e outros dois primos da vítima”, disse. Segundo os relatos, Capinam estava no banco de passageiros da caminhonete, enquanto seu motorista particular, José Carlos Pereira Brandão, dirigia o veículo. No banco traseiro estava também Wagner Tottoli Miranda Júnior, que escapou sem ferimentos. Na carroceria do veículo havia uma peça automotiva de uma caminhonete S10. “Eles estavam se deslocando de um ferro-velho na Vila Canaã e seguiam para uma oficina mecânica na Cidade Jardim”, detalhou.

Em depoimento, Wagner Júnior alegou ser muito próximo da vítima e que nunca presenciou ou soube de alguma ameaça. Além disso, declarou que, além de policial, Marcelo Capinam atuava como corretor de imóveis rurais no interior do Estado. De acordo com informações repassadas pelo assessor de imprensa interino da PM, tenente-coronel Eder Fernandes, ele respondia pelo batalhão do município de Caldas Novas, mas atuava em Piracanjuba com carga horária de 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso. Por isso, a vítima residia em Goiânia.

Capinam ingressou para a polícia como soldado há 23 anos. Também pertenceu ao batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). O delegado Alexandre Barros ainda disse que a vítima era investigada por suspeita de alguns homicídios e trocas de tiros.

Policial era suspeito do caso Murilo

Marcelo Alessandro Capinam figurava entre os suspeitos de terem assassinado o garoto Murilo Soares Rodrigues, 12 anos, e Paulo Sérgio, 21, que tinha ficha criminal. O crime aconteceu no dia 22 de abril de 2005, na Vila Brasília, em Goiânia. O garoto e o rapaz foram vistos pela última vez dentro do mesmo carro, antes de serem abordados por policiais militares. Os dois transitavam em um Palio e, na época, testemunhas relataram que foram impedidos de seguir por homens da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam). No dia seguinte, o carro foi encontrado carbonizado no Setor Alto do Vale. Os corpos do homem e do garoto nunca foram encontrados.

Em outubro do mesmo ano, a Justiça absolveu os policiais acusados de envolvimento, entre eles, Marcelo Alessandro Capinam. O Ministério Público chegou a recorrer da decisão em setembro de 2006 e o Tribunal de Justiça (TJ) anulou a sentença em primeira instância. No próximo dia 4 de abril, segundo informações do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ/GO), estava agendada uma audiência de instrução e julgamento para as 14 horas, com o juiz Alessandro Pereira Pacheco da 3ª Vara Criminal, relativa ao caso.

Fonte: Jornal O Hoje

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